Uma das grandes dificuldades do pessoal de TI é de justificar o retorno e a necessidade de diversos investimentos em TI. A menos que o diretor esteja reclamando que o Pentium III que ele usa está lento, ele será relutante em aprovar a compra de novos equipamentos.
Exageros à parte, uma coisa é certa: muitas empresas vêem seus investimentos em TI como custo. Ou melhor, como gasto (considerando que, em contabilidade, custo é o dinheiro gasto em alguma coisa que trará algum retorno). E fica ainda mais difícil quando o investimento está relacionado a estrutura de redundância ou recuperação de desastres.
Pode ser porque o ser humano tem a tendência de achar que o pior sempre acontece com o vizinho, nunca com ele. Até o dia em que ele for surpreendido com algum incidente, quer seja ele um incidente de segurança, um HD do servidor pifado, informações sigilosas roubadas por hackers ou por funcionários demitidos ou até mesmo acidentes como incêndio, por exemplo.
Num ambiente corporativo, onde os computadores armazenam informações valiosíssimas (desde documentos diversos até bancos de dados de ERPs e outros sistemas legados), é inadmissível que não haja um esquema de redundância. O ideal é ter redundância em tudo: fontes de energia, discos, servidores, links de Internet e por aí vai. Se o pessoal de TI for realmente paranóico, pode até ser que eles façam dois backups iguais, para evitar que a lei de Murphy os pegue desprevenidos. Tá certo que existem diferenças entre a redundância necessário em uma micro empresa e em um Data Center, mas todos deveriam se preocupar com esse assunto.
Um exemplo muito claro disso aconteceu este ano, mais precisamente no dia 3 de julho, quando um problema nos roteadores da Telefonica deixou grande parte do estado de São Paulo sem acesso por 40 horas. Os prejuízos foram enormes, para as empresas (principalmente as de comércio eletrônico) e para a telefônica - 24 milhões de reais em reembolso aos clientes, sem considerar clientes como o governo, por exemplo.
Veja um outro exemplo que aconteceu comigo anos atrás: o departamento de contabilidade vinha reclamando há um bom tempo que não tinha gravador de CD para fazer os backups do sistema que eles usavam. Mandei comprar a unidade e fui até o escritório para instalar o gravador. Desliguei o PC, instalei a unidade, liguei novamente o computador e … cadê a imagem??? Acredite: o HD pifou após eu instalar a unidade de gravação de CD. Isso aconteceu com outros 15 discos em pouco tempo, todos do mesmo lote de PCs que a empresa havia comprado, e que vinham com defeito de fabricação. E pra piorar, nenhuma empresa de recuperação de dados recuperava problemas com esse modelo de disco - nem mesmo o prório fabricante.
Portanto, caro leitor, reveja como está sua estrutura de TI. Acredite, ela é fundamental para as operações da empresa. E se você estiver pensando: “Bobagem. Isto nunca vai acontecer na minha empresa.”, eu espero que você esteja certo.
Também poderia ter citado o problema que deu na empresa que eu trabalhava, que deu problema na trilha 0 do HD, justamente na semana em que a unidade de backup estava em manutenção!!! Perdir alguns dados importantes, mas foi bom para aprender,se tivesse investido mais ou menos R$ 1.000 (que ca pra nós, para uma empresa não é um investimento caro) com armazenamento externo, não teria tido maiores problemas. Fora que existem técnologias acessíveis para isso, por exemplo, um simples HD de bolso para pequenas empresas já ajudaria bastante e custa barato
Em tempos de crise, é oportuno que este tipo de questão volte à tona - dá pra apertar um pouco o orçamento da empresa de um lado para investir um pouco mais do outro (o lado da segurança dos dados)?
Uma vez que o seu texto parece empurrar para a direção da empresa a responsabilidade com os “gastos” com a segurança dos dados, eu vou pôr esta batata quente de volta às mãos da direção de TI.
Soluções, em se falando de TI, sempre há mais de uma. Esta é uma das áreas mais flexíveis que há para a tomada de decisões. O que não se pode é ficar apático frente às possibilidades de se ter problemas.
Neste ponto, o próprio pessoal do TI pode fazer a sua parte, demonstrando mais criatividade e respeito com o “dinheiro da empresa”.
Quer um exemplo? Que tal olhar para outras opções em termos softwares de produtividade? Há pelo menos 4 opções tradicionais e de qualidade a toda prova ao MS Office (que é caríssimo, diga-se de passagem). Isto, no caso do gerente ser daqueles que se treme todo quando ouve falar em software livre (há muitos assim, acredite…). E, neste caso, nem se fala em OpenOffice, KOffice, Siag, etc…
WordPerfect e Lotus são suites de produtividade, tal como o MS Office e chegam a ter mais tempo de estrada. Com preços melhores, que tal pensar nestas alternativas?
A economia com uma única licença do MS Office é suficiente para a compra de um HD externo de alta capacidade, citado pelo Samuel.
#Elias,
Concordo com você: da mesma forma que existem dirigentes de empresas que fazem vistas grossas a esse tipo de problema, também existem os responsáveis pelo departamento de TI com o mesmo comportamento - o que, na minha opinião, é ainda mais perigoso, pois este é justamente o principal responsável pela iniciativa de criar e manter uma infraestrutura que suporte as operações da empresa.
Muito obrigado pelo comentário!