Posted on 03/11/2008
Filed Under (Gestão) by Elvis Fernandes

Delegar tarefas não é uma tarefa tão fácil para alguns, praticamente por dois motivos:

  1. O chefe não acredita que os subordinados possam desempenhar a tarefa tão bem quanto ele.
  2. O chefe confia tanto na capacidade dos subordinados, mas confia tanto, que esquece de ponderar se seu auxiliar tem aptidão técnica para desempenhar a tarefa.

Veja um caso que aconteceu comigo, há uns 5 anos atrás:

Eu trabalhava numa determinada empresa, no departamento de informática. Eu era a única pessoa do departamento nesta época. A empresa estava mudando de endereço, e logicamente era necessário equipar o novo prédio com telefonia e internet, o que talvez seria minha atribuição.

O processo de mudança de endereço estava sendo feito com pouco alarde - a empresa estava enxugando o quadro de funcionários e enfrentando inúmeros pedidos de falência. Talvez por isso eu não tenha recebido muitas informações - nem mesmo que era hora de contratar o acesso à Internet para o novo prédio.

Certo dia a recepcionista me perguntou: “Elvis, qual speedy é melhor?”. Estranhei a pergunta, e logo concluí que ela queria contratar o serviço para a casa dela. Falei que ela poderia contratar uma versão residencial, de baixa velocidade pois o custo seria menor.

Pouco tempo depois fiquei sabendo que aquele speedy era para o novo escritório da empresa. E só fiquei sabendo disso quando me falaram do novo escritório, e me pediram para configurar um servidor de acesso à internet no local.

Primeiramente, solicitei a migração do speedy de residencial para empresarial e comecei a configuração do servidor. Quando o servidor estava completamente configurado, começamos a ter problemas com alguns serviços, como recebimento e e-mails, por exemplo. Contatei o pessoal da Telefonica, que enviou um técnico até o local. Depois de algumas análises, ele concluiu que o modem estava com problema e seria necessário reparar, coisa que ele não tinha como fazer, a menos que levasse “o dinheiro para o pessoal”. Recusei a tentativa de suborno e comecei a procurar uma solução para o problema.

O problema não estava no modem, mas no desejo do rapaz em ganhar dinheiro fácil. O sinal do speedy havia sido trocado de home para business, mas o modem não foi configurado para o novo sinal, então o firewall do próprio aparelho bloqueava alguns recursos. Corrigi o problema, e depois de algumas horas de muitas tentativas, transtornos e cobranças, tudo ficou funcionando.

Do ponto de vista do negócio, o que aconteceu:

  1. A empresa dependia desses serviços para acessar a internet e trocar e-mails, portanto, ficou muitos dias (agora não me recordo com exatidão quantos dias) fora de “órbita”.
  2. Se fosse outra pessoa, provavelmente pagaria a “propina” para o técnico (talvez por falta de feeling para imaginar que a solução não seria essa), para trocar o modem que supostamente estava com problemas, aumentando o custo de aquisição da solução (sem falar no aspecto ético da ocorrência).
  3. Houve um aumento muito grande do custo operacional de configuração dos serviços e as tarefas que deixaram de ser feitas enquanto eu estava envolvido na solução do caso.
  4. Os serviços ficaram prontos para uso em, pelo menos, 3 ou 4 vezes mais que o tempo necessário em condições “normais”.

O motivo para toda essa bagunça e prejuízo??? Comunicação deficiente e falta de habilidade para delegar tarefas. Ou vai dizer que o diretor esperava que a recepcionista soubesse definir as características técnicas da solução a ser adquirida pela empresa?

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